sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mentalista

Entre o medo irracional de me sentar numa retrete com uma vírgula de merda ressequida colada no ponto usual de queda da dita cuja e a apreensão racional por não ter dinheiro no futuro para comprar um terreno para construir uma casa que também não terei dinheiro para construir, encontro-me eu.

Tenho andado em campo a investigar as gerações mais antigas a tentar perceber como funcionavam antigamente as coisas, porque pelo que me parece antigamente era mais fácil juntar uns cobres e comprar uma casita. Depois de pedir a opinião a várias pessoas, todas elas me referiram os seguintes factores:
  • Antigamente faziam-se sacrifícios,não se ia à bica,não se tomavam pequenos almoços na pastelaria/padaria,não se tiravam férias no Algarve,não se metiam unhas de gel,não se fazia o totoloto,não se saía à noite,não havia mensalidade de telemóvel,não havia ginásio,não havia mensalidade da meo,basicamente não se gastava dinheiro em coisas superficiais;
  • Antigamente os jovens, quando se casavam iam morar para a casa dos pais ou dos sogros e não iam para um apartamento "modesto" completamente mobilado;
  • Antigamente poupavam-se todos o trocos possíveis e logo que houvesse um dinheirinho metia-se logo no banco;
  • Antigamente faziam-se sacrifícios.
Começo a perceber que o real problema não é o Euro nem a crise económica que actualmente se instala e o "fácil" não existe.

Sim, repeti o ponto sacrifícios.
Isto porque o meu medo está mesmo aí. Tenho medo de um dia não estar disposto a fazer, não digo todos, mas alguns dos sacrifícios anteriormente referidos. Não me refiro a ser um mártir, não sou estúpido, ainda, mas começo a ter consciência que realmente é necessário abdicar de certas coisas para poder ter outras.

Isto é serviço público!

2 comentários:

  1. É como a cena de fumar. Muita gente fuma um maço por dia ou perto disso (3 euros e pico por dia), mas não abdicam do vicio mesmo que estejam muito mal. Para eles é preferível passar fome do que faltar o cigarrinho.

    Quem diz isto diz um monte de outras coisas em que a sociedade actual não sabe estabelecer prioridades. Tenho colegas que saem à noite a gastar 10~20 euros por cada uma, enquanto eu bebo apenas um fino ou quê, e depois quando me vêm a comprar uma tv de 700 euros chamam-me rico e mais não sei quê. Eu chamo-lhe prioridades e capacidade de gestão.

    A sociedade está cada vez mais consumista e peca por toda a gente achar normal. Dantes era normal ter apenas 4 canais e só os ricos terem parabólica/cabo. Era normal ter telefone e não telemóvel. Hoje em dia os papeis inverteram-se e o normal é dar 50 euros mensais para algo descartavel.

    Vamos acabar por voltar aos instintos primitivos, só os mais fortes sobrevivem. E os mais fortes serão aqueles que souberem gerir da melhor maneira o pouco dinheiro que ganham por mês, sem ter que se meter em empréstimos ao banco e afins, que são um buraco ainda mais difícil de sair.

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  2. Oh Rui se eu fosse gaija casava-me já contigo. É por esse tipo de mentalidade que referes, que eu me sigo ou pelo menos tento seguir. Auto-disciplina é muito importante e o que falta é espírito de sacrifício.

    Abraço!

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