quinta-feira, 21 de abril de 2011

O grão de areia #4

O grão de areia

O grão de areia #2

O grão de areia #3

-Sabes pequeno grão de areia, o mundo é feito de pequenos pormenores que passam despercebidos a quase toda a gente. Pormenores como eu e tu que isoladamente não têm importância nenhuma. Mas que se nos juntarmos a outros tantos pormenores como nós sem importância, fazemos o mundo girar, ou pelo menos, ajudamo-lo a girar.
Eu já fui mar, já fui rio, já fui chuva, já fui água de beber e agora sou lágrima e em breve não sei o que poderei ser.
-Vais embora? perguntou o grão de areia assustado.
-Eu não estou muito tempo no mesmo sítio, o meu futuro não sou eu quem o faz, o mundo manda em mim e eu digo ao mundo como ele é. Em breve o sol levar-me-á para o céu, onde viajarei pelo mundo inteiro, em forma de gota de água, de chuva.
-Vais deixar-me aqui sozinho?
-Se tivesses boca poderias beber-me e eu ficaria contigo durante uns tempos. Mas infelizmente não me podes guardar contigo, como te disse, só o mundo manda em mim.

O pequeno grão de areia ficou desolado, era a primeira vez que falava com alguma coisa e em breve essa coisa desapareceria, ficaria novamente sozinho a contar os dias incontáveis, numa tristeza profunda e num silêncio pesado.

A pequena lágrima estava cada vez mais pequena, o sol começava já a fazer o seu trabalho.

-O melhor será despedirmo-nos já, antes que eu desapareça por completo.
-Não podes levar-me contigo?
-Não tenho esse poder pequeno grão de areia, só o vento.
-Quando poderei ver-te novamente?
-Essa é uma pergunta que só o mundo saberá responder.

Finalmente, acabaram por se despedir e a lágrima acabou por desaparecer.
O grão de areia, permaneceu no mesmo sítio, sozinho.

Continua

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