domingo, 10 de janeiro de 2010

Residência parte II

Estava aqui na minha secretária a olhar o programa Matlab aberto no ecrã do portátil, a pensar na resolução de um problema de programação (tenho amanha frequência a programação e não percebo puto disto), quando, devido a uma diarreia mental, possivelmente originada por ter visto uma frase escrita algures mas não me lembrar onde, me veio à cabeça uma frase tão estúpida...
O nosso cérebro cria tanta manobra de diversão para nos afastar daquilo que não queremos fazer, cria imagens, pensamentos, palavras ditas repetidas como se fossemos uns doentes psiquiátricos, músicas conhecidas mas com letras inventadas por nós a roçar o ordinário até, sons estranhos...
Um fim de semana fechado numa residência quase fantasmagórica e ter que estudar, leva qualquer um à loucura, principalmente quando a dose diária de nicotina ainda não foi administrada por malandrice e por frio...daqui a pouco vou ali ao corredor...

Ah a frase foi (atenção que, como já disse posso tê-la visto nalgum lado mas não sei onde, por isso vai levar umas aspas que se lixa, Toma!!!(continuação da loucura patológica...dasss....): "Quando for grande quero ser como Jesus Cristo...."(elevo os braços ao ar, volto a baixa-los e digo:)...."Carpinteiro!!!".

O Miguel que estava sentado à minha frente fartou-se de rir. De inicio não percebi, mas depois apercebi-me...e ri-me também.

É mais um dia como tantos outros...

A Fórmula de Deus

Ando aqui de volta do José Rodrigues dos Santos e encontrei a melhor definição de Deus que alguma vez encontrei.

"Significa que eu não acredito no Deus da Bíblia."
..."Sabe, na minha infância eu era um menino muito religioso. Mas aos doze anos, comecei a ler livros científicos, daqueles popularuchos e cheguei à conclusão de que a maior parte das histórias da Bíblia não passavam de narrativas místicas. Deixei de ser um crente quase de um dia para o outro. Pus-me a pensar bem no assunto e apercebi-me de que a ideia de um Deus pessoal é um bocado ingénua, infantil até."...

"Porque se trata de um conceito antropomórfico, uma fantasia criada pelo homem para tentar influenciar o seu destino e buscar consolo nas horas difíceis. Como nós não podemos interferir com a natureza, criámos esta ideia de que ela é gerida por um Deus benevolente e paternalista que nos ouve e que nos guia. É uma ideia muito reconfortante, não lhe parece? Criámos a ilusão de que,se rezarmos muito, conseguiremos que Ele controle a natureza e satisfaça os nossos desejos, assim por artes mágicas. Quando as coisas correm mal, e como não compreendemos que um Deus tão benevolente o tenha permitido, dizemos que isso deve obedecer a um qualquer desígnio misterioso e ficamos assim mais confortados. Ora, isso não faz sentido, não lhe parece?"

..."Nós somos uma de entre milhões de espécies que ocupam o terceiro planeta de uma estrela periférica de uma galáxia mediana com milhares de milhões de estrelas, e essa galáxia é, ela própria, uma de entre milhares de milhões de galáxias que existem no universo. Como quer que eu acredite num Deus que se dá ao trabalho de, nesta imensidão de proporções inimagináveis, se preocupar com cada um de nós?"

"Ele é bom e omnipotente, é? Ora aí está uma ideia absurda! Se Ele é de facto bom e omnipotente, como pretende a Bíblia, por que razão permite a existência do mal? Por que razão deixou que ocorresse o Holocausto, por exemplo? Se for a ver bem, os dois conceitos são contraditórios, não são? Se Deus é bom, não pode ser omnipotente, uma vez que não consegue acabar com o mal. Se Ele é omnipotente, não pode ser bom, uma vez que permite a existência do mal. Um conceito exclui o outro"...

"Mas esse conceito tem muitos problemas, já reparou? Se ler a Bíblia com atenção, irá reparar que ela não transmite a imagem de Deus benévolo, mas antes de um Deus ciumento, um Deus que exige fidelidade cega, um Deus que causa tremor, um Deus que pune e sacrifica, um Deus capaz de dizer a Abraão para matar o filho só para ter a certeza de que o patriarca Lhe era fiel. Pois se Ele é omnisciente, não sabia já que Abraão Lhe era fiel? Para quê, sendo Ele bom, esse teste tão cruel? Portanto não pode ser bom."

"Será? Se assim é, por que razão pune Ele as suas criaturas se tudo é Sua criação? Não estará a puni-las por coisas de que é Ele, afinal de contas, o exclusivo responsável? Ao julgar as suas criaturas, não estará Ele a julgar-se a si próprio? Na minha opinião, e para ser franco, só a Sua inexistência O poderá desculpar. Aliás, se formos a ver bem, nem sequer a omnipotência é possível, trata-se de um conceito, também ele, cheio de irresolúveis contradições lógicas."

"Há um paradoxo que implica a impossibilidade da omnipotência e que pode ser formulado da seguinte maneira: se Deus é omnipotente, pode criar uma pedra que seja tão pesada que nem Ele próprio a consegue levantar. Está a ver? É justamente aqui que radica a contradição. Se Deus não conseguir levantar a pedra, Ele não é omnipotente. Se conseguir, Ele também não é omnipotente porque não foi capaz de criar uma pedra que não conseguisse levantar. Conclusão, não existe um Deus omnipotente, isso é uma fantasia do homem em busca de conforto e também de uma explicação para o que não entende."

"Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na ordem harmoniosa daquilo que existe. Admiro a beleza e a lógica simples do universo, creio num Deus que se revela no universo, num Deus que"...

A. Einstein

Estas frases definem completamente aquilo que eu penso mas que nunca tinha conseguido explicar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Só um pouco

Foi tão bom ter-te aqui um bocadinho...
Nem que tenha sido mesmo só por um bocadinho.
Tinha tantas saudades tuas.
Foi bom sentir-te,
Cheirar-te,
Tocar o teu rosto,sentir a tua pele.
Ver o teu sorriso e saber que és tu.
Que és tu.

Despedi-me apressado de ti,
Já a ver o comboio chegar,
Deste-me um beijo demorado
E já estava com saudade e tu ainda ali,
Ao pé de mim.

Obrigado por teres vindo,
Obrigado por seres quem és.
Obrigado.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Residência parte I

Hoje é um dia como tantos outros.
Uns estão doentes, outros arrastam-se por aqui.

Vários problemas e dilemas assolam o dia.

Dilemas/Problemas:
Não há colheres na máquina de café para mexer o açúcar.
1ª hipótese- Sujar uma colher e depois ter que a lavar.
2ª hipótese- Beber o café sem mexer e ficar com um amargo na boca a manhã inteira.
3ª hipótese- Abanar o copinho branco na esperança que algum açucar se dissolva no café.

Tomar banho.
1ª hipótese- Tomar banho, ficar lavado, mas passar um frio insuportável e possivelmente ficar ainda mais doente.
2ª hipótese- Não tomar banho e ficar com o sarro no corpo o dia todo e pensar que não faz mal porque agora é Inverno e não suamos tanto.

Ir à farmácia.
1ª hipótese- Ir à farmácia, implicando sair do conforto do sofá, mas possivelmente ficar mais aliviado da constipação.
2ª hipótese- Ficar no conforto do sofá e continuar com a tosse de cão e com expectoração côr de madeira velha
3ª hipótese- Beber shots de whiskey a lembrar os conselhos dos antigos que diziam que a bebida que tiver mais de 40º curava tudo e apanhar uma carroça "inocentemente".

Fazer a barba.
1ª hipótese- Fazer a barba e ficar com a cara como o rabinho de um bebé.
2ª hipótese- Não fazer a barba e ter esperança de ficar parecido com o George Clooney ou outro gajo qualquer que seja desejado por milhões de mulheres.

Dormir 10 horas e continuar com sono.
1ª hipótese- Voltar para a cama e dormir mais um bocado.
2ª hipótese- Beber um café da máquina que não tem colheres e ficar com o tal amargo na boca a manhã toda, mas ficar desperto como um puto hiperactivo.
3ª hipótese- Cumprir com as responsabilidades matinais e dormir a sesta depois de almoço e falhar as responsabilidades da parte da tarde.

Finalmente por último, mas sempre o primeiro, sair da cama de manhã.
1ª hipótese- Pensar durante 1 minuto e 27 segundos nos prós e contras de ficar na cama. Depois repetir mentalmente durante 13 segundos "vou?...não vou...vou?...não vou" e finalmente sair da cama com um ódio enorme ao mundo inteiro.
2ª hipótese- Ficar na cama mais umas horas e depois acordar e sentir remorsos tais que gostaríamos que o tempo voltasse atrás.



p.s. Embora este texto não seja em prosa, relata fielmente os problemas/dilemas dos estudantes de uma residência.
O Miguel sugeriu este novo formato de escrita para o blog. Se isto não resultar não irei perdoá-lo.

Espera mais um pouco

Não desças do teu pedestal,
Não saias do teu mundo formal.
Dá-me a tua mão, leva-me para junto de ti.
Conta-me o que eu não quero ouvir
E julga-me por erros que eu cometi.

Insulta-me para logo a seguir me amares,
Faz-me sentir especial, tanto quanto puderes.
Envolve-me com o teu abraço,
Despe-te, dança, encanta-me...
Leva-me a um outro espaço.

Não!

O que falas tu agora?
Continua o teu ritual, o teu desejo não pára.
Não te distrais com pormenores,
Com os nossos problemas.
Com males cegos, surdos,mudos...os piores.

Não me perguntes o que não quero responder,
Tudo o que eu disser só vai fazer-te sofrer.
Não queiras arriscar.
Continua nessa loucura distante de tudo.
A nossa loucura, longe do verbo amar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um Ano Novo?

Mais um ano que passou.
Fomentam-se novos objectivos,
Criam-se novas expectativas...

Mas...

Continuamos os mesmos,
Cumprimos a mesma rotina.
Já está traçada a nossa sina.

Nascem uns, morrem outros,
Corrigem-se defeitos,
Apuram-se qualidades,
Mudam-se opiniões.
Realizam-se novos feitos,
Aumentam as idades,
Fazem-se previsões.

Cometem-se erros,
Fazem-se descobertas,
Partem-se corações,
Fazem-se promessas.

Tanto que vamos fazer neste "novo" ano...
Mais um ano...
E para o ano, se "Deus quiser"...
Há outro.

Dilema de Natal

Vou contar o meu dilema de Natal.

Este Natal, gostava de acreditar,
Gostava de voltar a acreditar,
Não no Pai Natal,
Mas sim na suposta criança que nasceu.
A criança sem erro, sem mal,
Que durante anos me foi dada como certa
E que fazia com que a vida fosse uma porta aberta,
Uma viagem de paz e bondade para com os outros
E nós próprios.
Foi a educação que tive,
Que me foi dada,
Entregue.
Mas hoje tudo é diferente,
Já não sou aquele que segue,
Sou aquele que questiona...
Porque é que uma mãe abandona?
Porque é que um homem magoa?
Porque é que um barco não vem à tona?
Porque é que uma tempestade não amaina...?

São os desígnios de Deus?
É a força da natureza?

Não sei...!

Neste momento sinto-me tão sábio,
Como um grão de areia.

Por isso pergunto...
Com medo deste delicado assunto...
Vale a pena perguntar?