sábado, 18 de setembro de 2010

Equilibrio

Cenário: Jantar de família

Irmão: Ó mano aquelas pulseiras do equilíbrio o que é que fazem?
Eu: Epa dizem que equilibra melhor o corpo e dão energia através de umas forças magnéticas, são uma forças que supostamente nos rodeiam que não se podem ver.
Irmão: Mas isso funciona mesmo??(com ar muito céptico)
Eu: Não sei, há quem diga que sim, há quem diga que não...
Mãe: Sim elas dão mais equilíbrio e energia às pessoas.
Irmão: Mas servem para quê??
Pai: Servem para equilibrar....as contas de quem a fabricou!

sábado, 21 de agosto de 2010

Viver os dias

Neste momento és um rapaz que vive cada dia para cada dia,
Pensas em coisas que te preocupam e que soam ridículas ao resto do mundo.
Gritas ao mínimo entusiasmo.
Tens fome de saber e curiosidades atrevidas,
Namoras com os teus pensamentos e o coração começa a florir.

Um dia mais tarde vês-te um homem com pêlos na cara
E perguntas a ti mesmo como tudo aconteceu, como passou tão rápido,
E ficas com a sensação que não aproveitaste o suficiente,
Vês os teus olhos bem à tua frente numa figura frágil que te adoça os dias.
Vives o dia saboreando o dia anterior e esperando com ansiedade o dia seguinte

Tudo é tão incerto e ao mesmo tempo tão rotineiro...

Depois de todas as tempestades e dias amenos
Os teus olhos estão iguais, mas o teu olhar mais sábio.
Deparas-te com uma barba grisalha, uns vestígios de calvície,
E uma tonta dificuldade em subir degraus
Os teus olhos surgem novamente à tua frente...
E desta vez vertes uma lágrima, já não és o durão que costumavas ser
Gozas o teu cansaço, lendo o jornal na velha cadeira de madeira,
Com os pensamentos cada vez mais tranquilos
Mas com uma certa dificuldade de adaptação.
Vives o dia, recordas os dias e esperas sereno o dia de amanha.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Merda

A noite está cega
O silêncio é ensurdecedor
O frio cobre e abraça a minha dor
A chuva fina dança maluca

O cais aguenta a maré
As ondas batem-lhe com força
Os navios ferrugentos descansam
A lua esconde-se de mim

Não há palavras

Só merda

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O silêncio e o nada

O silêncio soa diferente na solidão,

Consegue ver-se o eco escuro que deambula

Como sombras assustadoras e móveis.

Gosto de apreciar o nada, o vazio.

Sentir que sou um privilegiado por presenciar o nada,

Fazer silêncio e sentir o silêncio.

Abraço a pouca luz que vejo,

Vejo-a como uma intrusa que me faz bem.

Ela é a sentinela das noites.

O nada conta-me histórias.

Imagino, recordo, penso, reflicto.

Sonharei abraçado pelo nada.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Loucura

A minha coragem faliu
Comprei-te com todos os trocos que tinha no bolso
E por vezes ainda ouço
Que não foste tu quem partiu

Vou pensando no que não deu certo
Nos falsos sorrisos e nas mentiras
Que tantas vezes me mantiveram por perto
Fazendo coisas pelas quais ainda hoje deliras

Os telhados da minha alma arderam
A terra do meu chão move-se inconstante
Os cordões que nos uniam romperam
E agora já não me pareces tão importante

Essa tua luz enfraqueceu-me o olhar
As tuas palavras embriagaram-me o espírito
Já não tenho a certeza que o que respiro é ar
Cada dia me sinto mais ridículo

Sonharei por nós dois
Dentro destas paredes brancas que me prendem
E que comigo contam os sóis
Porque só elas me entendem

terça-feira, 20 de julho de 2010

Summer rain



Near by the end

The thick clouds cover the sky

And the wind settles down

There’s no sounds or people passing by


All alone in my place

Waiting for the end

I’m tired from the mess the world has

And I wish to step my land


My head bursts

I’m losing my senses all over again

So I search for my zen state

And I wait for summer rain


It’s cold and smells like soil

It washes my tears and fears

Extinguishes my cigar

Makes me forget all troubles


Needing for happiness

Needing for a friend

It’s how it makes me feel

The summer rain



quarta-feira, 14 de julho de 2010

C'est la vie

De vez em quando é bom acreditar que tudo vai dar certo, que os nossos receios serão ultrapassados por uma esperança que é sempre a última a morrer e que um milagre possa realmente acontecer banhado por água benta já com verdete e reforçado por palavras estimulantes tão ditas e gastas pelas pessoas que nos estimam.

Mas nem sempre é assim, claro que não é assim.

As pancadas que se vão dando, comparando com as dores indescritíveis de bater com um dedo mindinho do pé numa porta a meio da noite, são bastante mais fortes. O desespero de sentir uma dor que não é física, uma dor que não se manifesta em hematomas, mas sim em pensamentos deprimentes e derrotistas é, felizmente, atenuado por coisas que nos recordam que afinal tudo é bom quando não é.

Que bom que é pensar que está tudo muito equilibrado com o mundinho tão pequenino que nos rodeia e que as pessoas estão sempre bem consigo mesmas, principalmente aquelas que nos rodeiam. O que digo é que somos tão egoístas ao ponto de apreciarmos as desgraças dos outros quando essas são as mesmas que as nossas. Buscamos um consolo em alguém que esteja tão desgraçado como nós, ou de preferência pior. É a realidade.

E quando sabemos que temos que voltar a trás, passar pelo mesmo suplicio, recordar o que já devíamos ter esquecido, voltar a acreditar numa realidade perfeitamente sufocante, questionamos (outra vez!!) se tudo valerá a pena e metemos em causa as nossas capacidades que são exactamente as mesmas de sempre.

Mas...há sempre um mas...nem tudo é mau, era bem pior se houvesse terrorismo global, corrupção, fome, catástrofes naturais, guerra e uma série de merdas que nos fizessem sentir sortudos ao ponto de não termos que acordar a meio da noite para uma mija e bater com o tal dedo mindinho do pé na porta.

Para me assegurar que não estou sozinho e para provar o (egoísmo humano?), utilizei o plural para definir uma frustração consciente e uma tristeza fodida.