segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Perfumes & Co

Cenário: Almoço de família

Irmão: Oh pai, ontem à noite havias de ter visto os anúncios na televisão. Era anúncio de perfume sim e outro não.
Pai: Anda tudo a cheirar mal...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lago

Ela esperava sentada junto ao lago

Numa manhã fria de Outono.

Estava um frio cortante

E uma névoa densa repousava sobre o lago

Que dormia tranquilo

Perante um silêncio desconcertante.


Ouviu ao longe uma chiadeira.

O seu olhar que adormecia na terra

Ergueu-se e o seu coração palpitou.

O som arrastava-se quase sem pressa

E aumentava a medo.

Ela levantou-se e atenta, observou.


Do meio da neblina uma figura pequena surgiu,

Montada numa pequena bicicleta ferrugenta.

A figura aproximou-se e tornou-se mais nítida.

Ficaram as duas frente a frente

As suas respirações ofegantes misturavam-se.

Deram as mãos timidamente.


Beijaram-se.


O único calor que sentiam vinha da boca uma da outra.

O silêncio continuava, e não tencionava terminar.

Abraçaram-se e desejaram que fosse assim para sempre

Apenas elas e o lago e o silêncio para partilhar.

Sorriram e suspiraram em harmonia um “amo-te”.

E soltaram uma gargalhada vibrante.

Porque vem aí o Natal

Tenho pena de quem diz que não gosta do Natal.

Eu adoro o Natal, isto porque o vejo no que ele tem de melhor e mais infantil.

No quarto da residência onde moro está uma árvore de Natal desenhada com luzes coloridas, num armário azul de metal, apenas porque nesta época sinto uma estranha necessidade de sentir que é Natal.
Comprei as luzes nos chineses.

Espero manter este fascínio infantil por muitos mais anos, as luzes coloridas que não se cansam de piscar, mas que às vezes fundem, a árvore, o presépio feito com musgo apanhada na mata, os doces e principalmente a família e o bacalhau tremido feito pela minha avó "ti" Rosa Nova.
Aquecer o cú na salamandra da cozinha a ver os mesmos filmes que deram nos últimos 4 Natais, mas que mesmo assim eu faço questão de ver, comer alternadamente entre doces e salgados, inclusive o bolo rei, os ovos moles e uns bombons de cereja cobertos com chocolate, tudo feito pelo meu pai, aconchegar-me no sofá com o cobertor aos pés da minha mãe e mandar uns carolos no meu irmão.

É um dia como os outros?
Claro que é, com a excepção de que é Natal.
E eu gosto do Natal.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Viagens

Apontava num papel qualquer
Podia ser mesmo aí
Nesse
Que tens aí

Podia ser na memória fotográfica de um passado tão presente
Que tão próximo e tão perto me faria dormente

Mas não.

É assim tão real que se sente
E apesar de estar contigo comigo
Vais estar longe e tão perto meu amigo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Donas de casa

Com a actual situação que o país vive, começo a pensar se não seriam úteis umas dicas de umas verdadeiras donas de casa, para que se pudesse realmente poupar, evitando gastar dinheiro em coisas fúteis como em automóveis topo de gama e ajudas de custo e representação que dariam para comprar uns quantos T2 na Reboleira, e gastar moderadamente nas coisas realmente essenciais como saúde e educação, etc. Mas isto sou só eu a falar. E eu sou leigo.

Mas...

Infelizmente os senhores que estão no governo, com toda a certeza não tiveram uma mãe como a minha, que me incutiu desde sempre que deveria poupar e comprar apenas se pudesse, não ir para além das minhas possibilidades. A propaganda que a comunicação social faz de sensibilização à poupança, é tudo menos nova para mim. Querem ensinar os portugueses a escolher os produtos mais baratos nos hiperes, dar-lhes a conhecer convenientemente os produtos de marca branca (o continente agradece), a tomar banho mais depressa, a apagar as luzes quando não são necessárias, a desligar os transformadores da ficha, a ir ao cabeleireiro uma vez por mês, a meter uma garrafinha no autoclismo, a tomar pequeno almoço em casa, etc...

Fantástico, digo eu.

Sempre admirei a inépcia daquelas pessoas que "não sabem" poupar, é tão simples que possivelmente, um dia destes colocarão um símio a fazer essa sensibilização, até porque se bem me lembro, já foi utilizado um para sensibilizar à reciclagem. Esperem para ver.

Voltando às donas de casa, as verdadeiras, aquelas que têm que gerir um lar composto por vários filhos, por vezes com orçamentos verdadeiramente reduzidos e milagrosamente geridos ao cêntimo e ainda assim não faltam com nada aos filhos, cada vez mais exigentes, essas senhoras deveriam sem sombra de dúvida estar a governar o nosso país. E tenho pena que os senhores que nos governam, nunca tenham tido mães assim, ou então tiveram mas não quiseram aprender.

É bem verdade que cada um é filho da sua mãe.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Eclipse

Imaginem um casal, casado há já uns anos, com uma vida profissional estável e um núcleo familiar sólido. Este casal tem tudo para ser feliz com a excepção de que descobriram há cerca de 10 anos que não podiam ter filhos, ou pelo menos foi o que lhes disse uma médica quarentona, sem filhos por opção. A razão pela qual a médica aconselhou a senhora a não ter filhos foi a sua doença mental, esquizofrenia, que para estar controlada implicava a toma massiva de medicação e consequentemente a quase impossibilidade de poder gerar uma criança.

Visto a impossibilidade de serem pais biológicos, este casal queria muito partilhar o seu amor com uma criança, e como tal começaram a pensar na adopção. Então há cerca de 7 anos começaram a sua longa jornada na tentativa de adoptar uma criança.

Trataram das toneladas de papelada necessária, das burocracias associadas, assistentes sociais em casa, entrevistas, acompanhamento, etc.

Após a enorme parafernália de procedimentos adjacentes ao processo, restava-lhes agora esperar. E esperar. E esperar.

Sempre que se dirigiam à segurança social, as assistentes sociais que os acompanharam desde o inicio do processo apenas tinham para lhes dizer “Têm que esperar” e “Não percam a esperança”.

Passaram 4 longos anos nesta corrida quase mensal à segurança social na esperança que já houvesse uma criança para eles. Obviamente que tudo tem um limite e a paciência humana não é excepção.

Recorreram aos tribunais para provar que eram mais que competentes para receber, criar, dar afecto e educar uma criança, um ser humano e que apesar da doença mental da senhora, que sempre esteve controlada, não era impedimento absolutamente nenhum, isto, segundo outra médica que acompanhava agora o estado da senhora.

Ganharam, pelo menos em tribunal.

Depois da vitória em tribunal e do aparecimento de uma nova luz, uma brisa de ar fresco, continuaria a espera incessante.

O tempo foi passando e o casal agora na casa dos quarentas, dirigiu-se mais uma vez à segurança social. Após explicarem às assistentes sociais que estavam a ficar com uma certa idade para adoptarem uma criança mais pequena, já que quando a criança tivesse na casa dos vintes, eles já teriam sessentas, que não se importavam de adoptar uma criança mais velha.

Ao que as assistentes respondem e vou citar: “Vocês não são competentes para educar uma criança de 3 ou 4 anos quanto mais uma de 10”. Ouvir isto magoa, mesmo para quem está de fora. E as pessoas não são de ferro. “Porque é que diz isso?” – pergunta o senhor a tentar não perder a postura, ao que a assistente lhe pergunta: “Se tiver um prato de sopa e um bife e a criança disser que não quer comer a sopa, o que é que você faz?”. Medo de uma assistente social. “Dir-lhe-ei que tem de comer a sopa primeiro”. A assistente social insiste: “E se a criança disser que não vai comer mesmo a sopa?”… não vale a pena continuar com o diálogo, acho que já me fiz entender.

A resiliência humana não é eterna nem contínua, obviamente que não vale a pena referir as frustrações, as depressões, as discussões consequentes de todo este processo.

Que alguém não queira ter filhos, é perfeitamente legítimo, o problema é quando esse alguém não quer e tem o poder de impedir outro alguém de os ter. Já alguém dizia que a nossa liberdade termina quando começa a liberdade dos outros.

E digo com convicção que não foi a primeira médica que desaconselhou a senhora a ter um filho biológico, porque isso é possível segundo a “outra médica” e não foram as assistentes sociais com contornos macabros que os vão impedir de dar amor a uma criança, de partilhar o amor com uma criança, de salvar uma criança, um ser humano.

Em Dezembro vemo-nos em tribunal.

“Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar”

Jorge Palma

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Arranjo tomatal

Sempre me intrigou aquele lendário tique que uma razoável percentagem de homens tem. Refiro-me àquele gesto, normalmente feito em público, que consiste numa inclinação de cerca de 10,5º do troco para a frente, leve flexão de um dos joelhos à escolha, dobra do dedo mindinho juntamente com o anelar, podendo também juntar-se à festa o dedo "pai de todos", dependendo da intensidade do arranjo.

Após a devida preparação, leva-se a mão escolhida à zona virinhal (nunca tive anatomia) e enfia-se o conjunto de dedos na folga entre a coxa e os testículos, com os dedos direccionados para os ditos e finalmente coça-se o(s) testículo(s) aprisionado por uma cueca demasiado marota, um pêlo púbico mais atrevido ou simplesmente por tique, porque sabe bem.

Quem o faz nem se apercebe que o faz, acredito até que seja uma alternativa "aceitável" publicamente à masturbação, pelo prazer que dá.

Nota: ponderei colocar uma imagem para melhor ilustrar o gesto mas acho que não será difícil imaginar.